segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

A primeira batalha (de muitas) !!!



(texto publicado no Fórum Enfermagem)

Antes de mais, desejo congratular todos os visitantes e colaboradores deste fórum , pelo trabalho que têm desenvolvido na divulgação da situação actual da profissão, assim como da sensibilização de outros colegas e da população para a mesma! Pelo movimento que tenho observado na internet (blogues, reenvio de mails, etc) e na comunicação social, encontro-me mais esperançado na possibilidade destas iniciativas terem mais impacto sobre o Governo, suas políticas e população em geral. Puxando a sardinha à brasa, congratulo-vos por o vídeo da Discriminação na Enfermagem ter já 17 000 visualizações! Só demonstra a revolta que impulsiona todos os contactos e reenvios deste mail!

Contudo, há algo que ainda não foi dito!

Apesar de, e muito bem, todos os esforços estarem a ser canalizados para os próximos dias de luta, não nos podemos esquecer que estamos envolvidos numa guerra!
E quando digo GUERRA, refiro-me a um continuum constituído por DIVERSAS BATALHAS, SENDO QUE VAMOS TRAVAR APENAS UMA DELAS! Isto é, qualquer que seja o resultado teremos inevitavelmente de pensar: "Venci/perdi a batalha, mas não perdi a guerra!" É fundamental termos consciência disto, uma vez que, na eventualidade de os resultados não serem tão positivos quanto esperamos (independentemente da eficácia das medidas de luta), não caiamos todos em depressão, O QUE JÁ VEM SENDO HABITUAL! Ou seja, uma guerra é desgastante, dificil, árdua, custosa, mas só a paciência, perseverança, teimosia e inteligência poderão dar justiça à nossa "razão"!
Sabemos, e bem, que a partir daqui só podemos endurecer as formas de protesto! Porque quanto mais teimoso for o governo, mais teimosos teremos de ser nós, se queremos adquirir o que nos é justo por natureza e se queremos evitar ser mais espezinhados e escravizados que actualmente!
Preparem-se então, porque daqui para a frente teremos de estar de corpo e alma, unidos como nunca antes, e imbuídos de uma coragem sem precedentes,POIS SÓ ASSIM PODEREMOS MOSTRAR DO QUE SÃO FEITOS OS ENFERMEIROS PORTUGUESES E QUAL A SUA IMPORTÂNCIA PARA O PAÍS! VAMOS DEIXAR DE SER "OS BONZINHOS DO COSTUME"!


VITAL É,igualmente, salvaguardar o que temos de fazer "em paralelo", isto é, não são apenas as greves e outras lutas que nos levarão onde merecemos estar, temos de ter a consciência que numa "guerra" tão dificil, muito mais é preciso fazer:

- Visibilidade dos cuidados ao nível da gestão hospitalar: empreender estudos e iniciativas que permitam transformar os dados que produzimos diariamente (chamados registos) em informação que traduza os ganhos de saúde decorrentes dos cuidados de enfermagem, só possível através da estandardização da linguagem, acompanhada por evolução dos registos do chamado nivel I (descritivos) para nivel II (informaticos), que permitam agrupar e transformar essa informação em indicadores de saúde sensiveis aos cuidados de enfermagem! E porquê? porque a administração de saúde só contabiliza na sua maioria ACTOS MÉDICOS, i.e., consultas, operações e afins e nós somos apenas vistos como um gasto! temos de alterar este paradigma por forma a sermos vistos como um recurso altamente benéfico para os serviços de saúde e tal só se fará quando o que chegar à mesa do gestor forem indicadores de ENFERMAGEM!
- Visibilidade social: Mais iniciativas públicas, bastante publicidade (qua não existe nenhuma, a nivel institucional ou extra! - VERGONHOSO), iniciativas individuais, DA ORDEM E DOS SINDICATOS, que progressivamente demonstrem a importância do nosso papel na sociedade! Envolvimento mais acentuado na política, por forma a influenciar decisões.
- Papel activo e irredutível dos ENFERMEIROS GESTORES NA DEFESA DOS SEUS ENFERMEIROS E DA SUA CLASSE: através da promoção da melhoria de cuidados de enfermagem e abandono da gestão (indirecta) e tarefas que cabem aos médicos e que estes não fazem por considerarem insignificante. Defesa dos profissionais face à instituição e à perda de competências por parte dos enfermeiros;
- Aposta na investigação e desenvolvimento do conhecimento no seio da profissão: fundamental à definição e agrupamento das competências da disciplina e promotoras do reconhecimento social dos enfermeiros!

Se este "trabalho de fundo" não for sendo feito ( e é cada vez mais urgente), então poderemos esquecer quaisquer ganhos, ainda que justos, porque

"O prestígio de uma classe é directamente proporcional ao rendimento monetário que a sociedade lhe reconhece como lícito e justo..."

aquele abraço

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