sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Quem não sabe é como quem não vê ...




Ora aqui está uma daquelas coisas de que nem sempre nos apercebemos... Numa tomada de posição que data de 2006, a Ordem dos Enfermeiros assumiu uma determinada posição face à Investigação em Enfermagem.

Apesar de desconhecer a prática corrente, está patente no documento que a OE apoia:


- A promoção de estudos sobre a Classificação Internacional para a Prática de Enfermagem como a Terminologia de Referência para os SIE;
- A divulgação de estudos de investigação de reconhecido valor científico;
- A replicação de estudos de investigação e a validação científica de instrumentos de pesquisa;


Nesse mesmo documento "enuncia quatro eixos prioritários de investigação:

1. Adequação dos cuidados de Enfermagem gerais e especializados às necessidades do
cidadão;
2. Educação para a Saúde na aprendizagem de capacidades;
3. Estratégias inovadoras de gestão / liderança;
4. Formação em Enfermagem no desenvolvimento de competências.


Ora, dependendo do apoio, será que a grande quantidade de Enfermeiros que se encontram no desemprego, enquanto aguardam por uma oportunidade no mercado de trabalho e aproveitando os conhecimentos de investigação "frescos", NÃO PODEM COMEÇAR A DESENVOLVER PROJECTOS DE INVESTIGAÇÃO, com esse mesmo apoio e utilizar o seu tempo numa actividade fundamental para a profissão, em vez de decidirem trabalhar em clínicas de borla ou por 3€ à hora? Ou juntarem-se a unidades de investigação já existentes nas instituições de ensino?

Fica aqui o link para o documento:

http://www.ordemenfermeiros.pt/tomadasposicao/Documents/TomadaPosicao_26Abr2006.pdf

Vale a pena pensar nisto! :)

aquele abraço

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Como anda o (des)sindicalismo ...




Quase todos os dias me tenho deparado com colegas que, à conversa, exprimem a sua angústia pelo futuro (ou ausência deste) da enfermagem. E a conversa vai sempre dar ao mesmo, isto é, o papel dos sindicatos e da Ordem. Ora se na segunda para já não há nada a fazer, uma vez que temos de pagar as quotas e isto se queremos estar a trabalhar legalmente (apesar de se saber que foi uma escolha da OE que se pagassem quotas, já que uma associação na qual todos os membros têm de estar inscritos não há necessidade de quotização obrigatória; pelo contrário nos sindicatos, em que a adesão é opcional, já têm de se pagar), na primeira já não se passa o mesmo e o sindicalismo, dos dias em que se perguntava "que tenho de fazer para me sindicalizar" passou para "que tenho de fazer para me DESsindicalizar".

É triste, triste porque a conversa acaba sempre assim, é triste porque são cada vez mais os que o dizem. Mas será que eles não têm razão? Primeiro perguntamos: Que tem o sindicato feito por nós?

- Aprovou uma carreira, alegadamente discutida por todos (os que quiseram claro), cuja aplicação prática deixa muito a desejar (ora digam-me como evoluem para principais os enfermeiros que serão especialistas, se não abrem vagas para especialistas, mas ao mesmo tempo existe a exigência de 5 anos a trabalhar como especialista para se subir para principal), digam-me quem vão ser os chefes e supervisores do amanhã, se todas essas são carreiras que se esgotarão assim que estes últimos forem para a reforma. Quem vai chefiar são os principais? Então onde está essa carreira???

- Disseram alguns que "só por cima do nosso cadáver" e a minha pergunta é só esta: se a situação está como está, porque é que ainda não os mataram?? Só pra poderem passar por cima...

- Tentam, sem sucesso, no meio de uma gravíssima crise, que se façam ouvir junto do Governo.

- Não têm o apoio da maioria dos Enfermeiros e Enfermeiras deste País, que nem sequer sabem o que está a ser negociado;

- São quase sempre os mesmos a mandar, e quem manda é quem aprova as ideias de intervenção e as avalia, e como são sempre os mesmos a avaliar, acaba-se sempre por aceitar as mesmas ideias;

Depois pergunto, O QUE TEM FEITO CADA UM DE NÓS? Pouco, ou mesmo nada. Esperamos o dia que, de braços abertos, o governo sorria e nos dê um forte abraço e tudo o que "merecemos". Naturalmente, quem pouco faz, tem o dever de ficar calado e pouco merece reclamar.

Por outro lado, vendo a inactividade atroz de sindicatos que não promovem a imagem dos enfermeiros, não defendem situações nas quais os Enfermeiros, por mais legalmente que estejam a ser explorados ou ridicularizados, podem ser defendidos nem que se faça recurso de meios mais imaginativos, se a única coisa que mandam nos e-mails são concursos (e já não é mau, vá...), então eu digo: O QUE É QUE TENHO DE FAZER PARA ME DESSINDICALIZAR?

MOSTREM O QUE VALEM, QUE NÃO SE REGEM POR INTERESSES PARTICULARES, E AÍ PODE SER QUE GANHEM O APOIO DE TODOS. Porque 15€ por mês são 180€ no final do ano, e a poupança e o combate ao desperdício estão na ordem do dia.

Aquele abraço