quarta-feira, 17 de novembro de 2010

A cabeça a prémio, o "não é porque eu não gosto" e vai "depressa" imigrante!

Verdade seja dita que o tempo não tem sido muito, mas a evolução da conjuntura actual e os recentes acontecimentos trazem-me, acima de todo o trabalho por fazer, a comentar três assuntos. E comentam-se porque... bem, porque de facto isto vai de mal a pior e, por temer o sofrimento, o desenvolvimento tenebroso e o sub-aproveitamento dos colegas, os aconselhe "a fazer pela vida".




1º tema: A CABEÇA A PRÉMIO

Continua a ser difícil ser enfermeiro onde quer que seja e, mais que tudo, custa ser bom profissional! É certo que todos erramos, que há bons e maus profissionais em todas as profissões e em todos os locais, mas o que NÃO ESTÁ CERTO, é que, no confronto entre um enfermeiro (que todos sabem ser profissional, respeitador, trabalhador, capacitado)e um médico (que todos sabem que já fez "porcaria" por diversas vezes, e que inclusivamente já colocou a vida de doentes em risco), seja o enfermeiro a ter de ser "reposicionado", de modo a que não se firam susceptibilidades ao sr. dr, ou ainda para evitar que este encontre um modo de "encravar" o colega. E sim, isto ainda acontece nos dias de hoje e, nos próximos tempos, não prevejo que mude. São estes os sinais de quem continua a mandar, quase sempre de modo "ditatorial" nos hospitais, em que os erros graves são escondidos e as pessoas erradas afastadas, em vez de mudarem os que estão mal.

E claro, não acaba por aqui, o que nos leva ao segundo tema "não é porque eu não gosto"



Peço agora o esforço criativo de imaginarem uma padaria-pastelaria, que, como o nome indica (e em boa parte dos casos) tem na sua equipa pelo menos um padeiro e um pasteleiro. Ora, ainda que o dono da padaria-pastelaria seja o padeiro, acreditamos que este não pode dizer ao pasteleiro como fazer o seu trabalho (pelo menos na sua grande maioria)! Isto porque um deles percebe de fazer pão e o outro percebe de fazer bolos. Ora pão e bolos são até parecidos e confesso que até gosto mais dos bolos, mas são e continuarão a ser duas coisas diferentes.

Agora imaginem que o pasteleiro decide, de forma a melhorar a qualidade do seu trabalho, implementar determinadas alterações ao seu modo de trabalhar, que pouco implicam na dinâmica do estabelecimento. Coloca-se a questão: Poderá o Padeiro, que não percebe nada de bolos, manifestar-se contra ou impedir a mudança positiva do seu colega, ainda que o faça simplesmente porque "não gosta ou não se revê na mudança"?

(É claro que não se revê, nem é pra rever, que aquilo pouco tem que ver com ele)

E se essa mudança se referir a dois grupos "aparentemente" similares na saúde que, à semelhança do pão e do bolo, afinal não têm assim tanto que ver, poderá um dos grupos que nem sequer manda (ou nem sequer devia mandar), decidir impedir que o outro grupo melhore e se desenvolva? Não devia, mas pode, e já fez. E agora? Agora não vale a pena pensar em mais nada, pois quem dera a muitas pessoas que não haja mais complicações com essa temática naquele determinado local de trabalho.

E sabem o que eu acho? É medo, muito medo de verem os outros que são competentes a ganhar reconhecimento e a desenvolver óptimo trabalho, alterando-se assim a esfera do poder e da decisão. Mais uma vez o resultado fica M 1 : E 0 ...



Quantos de nós se recordam, com alguma melancolia (ou não) da música daquele grande artista que é o Graciano Saga: vem devagar emigrante...



Para a Enfermagem, a cantiga deve ser outra: "vai depressa imigrante" deve ser o novo hit single para todos aqueles que estão em condições para imigrar... Um apelo à imigração pode parecer reflexo do descrédito na enfermagem em Portugal... Não, é mesmo o descrédito pelas políticas de saúde e pelo modo como está organizada a formação e o mercado de trabalho neste País. Assim faço um apelo:

" ... jovem (lol), se és recém-licenciado e tens até 50 anos (valerá imigrar depois disso? ...), até gostas de ser enfermeiro e sabes, bem no fundo, que em Portugal ninguém te liga nenhuma, investe em ti ou te vê como uma mais-valia, e queres ser o Enfermeiro que sempre sonhaste, inovador, dinâmico, formado, capaz de aceitar desafios e melhorar continuamente, que sabe que a Enfermagem tem futuro como profissão e como desenvolvimento pessoal... então SAI DESTE PAÍS O QUANTO ANTES.


Enquanto em Portugal continuar

... a dinâmica ridícula do sr dr (quase única no mundo!), que rouba milhares de € a todos nós na sua "jiga-joga" entre públicos e privados, nas empresas de trabalhos temporários, nas reformas que voltam atrás e outras tantas, sr dr que continua a achar-se dono e senhor de todo o hospital, sr dr que continua a rebaixar as outras profissões somente para manter o seu poder.

... a dinâmica do sr enf., que está-se pouco borrifando e para além de fazer o seu trabalho no público quer voltar logo para o duplo ou triplo na privada a ganhar a feijões, enquanto não se preocupar em transmitir publicamente o que é a enfermagem, enquanto não se preocupar em produzir indicadores que espelhem os cuidados de enfermagem que mudem as dinâmicas de poder e financiamento, enquanto sindicatos e ordem, cheios daqueles que nos seus locais de trabalhos impõem dinâmicas que subjugam todos os seus colegas (contrárias aquelas que defendem em espaços públicos), enquanto as nomeações das chefias de topo forem nomeações e não concurso, enquanto não nos unirmos e ultrapassarmos o mesquinhismo de uns poucos € e as ameaças que fazemos na nossa cabeça...

ENTÃO NÃO VAMOS MESMO A LADO NENHUM!

aquele abraço

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Pedido de desculpas




Aos leitores pela ausência de posts no blogue, em virtude do tempo bastante ocupado.

Como dizia o nosso amigo Octávio Machado, tem sido "trabalho, trabalho, trabalho"! Para a semana tentarei dar novidades!

Aquele abraço!