quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Saúde e sucessos em 2011: o meu desejo para todos!




Mais um ano que passou... Marcado por um início fortíssimo, embora tardio, representou a capacidade que os Enfermeiros têm de se unir em momentos difíceis! Ninguém ficou indiferente... O Governo tremeu, mas levou a melhor! Nem que tenha servido para mais nada, a greve do início do ano serviu para mostrar que quando nos chateamos, é porque estamos a falar a sério!

Mas não vamos falar "a sério" tão cedo, até porque a situação (seja ela como a "pintam" na comunicação social ou não)não o permitirá. E a verdade é que, em tempos de crise, aproveitam-se aqueles que detêm mais riqueza, de forma a que maior exploração gera ainda maior riqueza....

Os atropelos à classe sucedem-se:
- a formação em barda, incontrolável, ao serviço de alguns interesses, representa uma despesa de milhões, uma vez que os novos licenciados, tão necessários ao serviço de saúde, não são contratados conforme as devidas necessidades;
- a negação por parte do poder político de realidades há muito denunciadas: relatórios nacionais e internacionais, de organismos de relevo, alertam para ESCASSEZ DE ENFERMEIROS e para as DESIGUALDADES NA DISTRIBUIÇÃO DE SERVIÇOS MÉDICOS; o alerta para a necessidade de uma política de promoção da saúde e prevenção da doença e de proximidade dos cuidados de saúde(na qual os enfermeiros assumem o papel central), cujas fórmulas de sucesso de outros países (nomeadamente os nórdicos) continuam a ser ignoradas com veemência, em prol de uma aplicação cega e sem resultados em cuidados curativos, de elevada tecnologia e altamente dispendiosos; a falta de controlo sobre a actividade médica e a promiscuidade entre o serviço público e privado, que custam a todos os Portugueses milhões de euros dos seus impostos;
- os hospitais e clínicas privadas, que mantêm os regimes de trabalho gratuito "à experiência" nos primeiros meses ou com pagamentos humilhantes para os enfermeiros de 3,4 e 5€ por hora e na qual se observa pouca actividade (ou pouca divulgação da mesma) para resolver estes problemas por quem de direito;
- a actividade ilícita realizada nos lares de idosos de todo o país, não por falsos enfermeiros (ao menos esses reconhecem que estão a prestar cuidados para os quais não estão habilitados) mas por todo o tipo de gerontólogos e auxiliares de lar, muitas vezes com a formação básica e descontextualizada que geram casos graves de acidente e morte, a maioria dos quais, naturalmente, nunca vem a público; e sobre esta actividade pouco ou nada está a ser feito;
- a vacinação em algumas farmácias que, face a reacções anafiláticas colocam os utentes à porta esperando pelo INEM, para não causar má imagem ao estabelecimento (relatado no DE);
- o advento da formação para técnicos auxiliares de saúde, que ou muito me engano nos remeterá, em pequeno número, para simples funções de gestão dos serviços de saúde, enquanto que tais técnicos irão, por força de uma implementação errada e subvertida da legislação agora aprovada por parte do governo, prestar o que hoje se conhecem como cuidados de enfermagem;
- a actividade nos hospitais públicos, de grande renome, em que enfermeiros vão, num qualquer dia, substituir outro colega a um serviço no qual nunca trabalharam e do qual desconhecem todo o modo de funcionamento, pessoal, instalações e situação dos doentes, comprometendo gravemente a segurança e a qualidade dos cuidados (e não me venham dizer que o enfermeiro deve ser capaz de prestar cuidados de enfermagem em qualquer contexto, uma vez que quem trabalhou 10 anos numa gastroenterologia não percebe patavina de hematologia)- SIM, ISTO ESTÁ A ACONTECER COM O AVAL E A ORDEM DAS DIRECÇÕES, QUE SÃO POSTERIORMENTE PREMIADAS COM PRÉMIOS DE GESTÃO POR POUPANÇA DE RECURSOS;
- o aparente silêncio de sindicatos, um dos quais, após dois tiros no pé (negociação dos privados e assinatura do acordo da carreira, mesmo não concordando) parece que morreu para a vida, e outros dois dos quais fazem muitas ameaças " e que não pode ser" mas não se vê mais nada;
- a estranha pro-actividade recente da OE, sobre assuntos sobre os quais nunca tinha vindo a falar, perto da campanha para eleições (será que acordaram finalmente para a vida ou ...?);
- o silêncio que novamente se instalou na comunicação social relativamente à enfermagem, sendo que voltámos a estar "mortos e desaparecidos" para todo o País;
- a inactividade, ignorância e incapacidade de todos os colegas de demonstrar, em boa parte das vezes, o valor da Enfermagem para os cuidados de saúde do País.


E há maneira de resolver isto tudo???
Eu acredito plenamente que SIM! Acções concertadas entre OE e sindicatos, de pressão sobre o poder Político e sobre a Comunicação Social, e o foco de TODOS OS ENFERMEIROS na divulgação a todos os níveis do valor dos cuidados de Enfermagem e dos resultados destes (Visíveis) para a saúde dos Portugueses, de modo consistente, permitirão, a médio prazo, que os utentes privilegiem cuidados de Enfermagem e exerçam pressão no poder político para que sejam dadas mais condições a esta classe, que tanto merece, mas que, por via das condicionantes sócio-culturais, terá de continuar a fazer por merecer, sem esmorecer!

Apesar do panorama negro que aqui traço, ACREDITO em todos, mas todos mesmo, para que possamos levar a nossa causa a "bom porto"!



Votos de boas entradas em 2011, saúde e sucessos é o que desejo a todos!
:)

aquele abraço

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Os Enfermeiros e as Clínicas



Em Portugal, as Clínicas que prestam cuidados de saúde, mais propriamente cuidados médicos e dependências, têm uma óptima relação com os enfermeiros. Salvo as devidas excepções, trabalhar como Enfermeira numa clínica deve ser uma experiência alucinante, daquelas que deviam ser incluídos nos vouchers de experiências, tão na moda, na secção "aventura/perigo extreme". Em primeiro lugar, se já nos pagam pouco no público, na privada ainda melhor.

Toda a gente sabe, é dito à boca cheia, escrito inclusivamente, que também está na moda contratar enfermeiros por 2€, 3€, 5€ à hora e até gratuitamente, por determinado período de tempo. O trabalhar gratuitamente é uma experiência fundamental para as clínicas, que necessitam de saber se a enfermeira/o reúne as condições necessárias para lá trabalhar futuramente. Pena é que nesse tempo, os enfermeiros não avaliem se devem trabalhar naquela clínica ou não.

Depois, e todos sabemos, seja o primeiro, segundo ou qual o nr do emprego, sabemos que os enfermeiros têm contas para pagar, filhos para sustentar, casa a dever ao banco e afins. Sabe-se também que o múltiplo emprego, em Enfermagem, é comum para restabelecer (que piada) a justa remuneração que o enfermeiro deve receber... E ainda há quem diga, à conta destas brincadeiras, "...que os enfermeiros ganham muito bem". Pois senhoras, se eu trabalhar o dobro, se calhar recebo mais qualquer coisa.

Também se sabe que há quem viva acima das possibilidades, e quer logo pagar uma casa com recheio e um carro "jeitosinho", sendo que para isso se sujeita ao que "houver". Finalmente, não nos esqueçamos que para muitos, esta será talvez a experiência que lhes confere currículo para dar o salto para um emprego mais estável!

No meio de tudo isto, as clínicas sorriem, à medida que impõem tabelas salariais ridículas aos enfermeiros. Quanto àqueles que têm um estágio profissional, recebem aquele X, mas já se sabe que alguma desculpa será inventada para evitar de o contratar por um preço mais alto...

Há sindicatos que assinam propostas ridículas, de preços "de ocasião", alegando que é melhor ganhar o preço negociado que não ter nada negociado... e ao mesmo tempo (em que pedem 900€ no privado) deram mais um contributo mortífero para a nova carreira pública (em que, com muita razão, a sra ministra se interrogou porque ganham os enfermeiros 900€ no privado e porque hão-de ganhar 1500€ no público...)

No meio disto tudo, muita revolta interna, muito prurido e vozes isoladas, mas ninguém empenhado em terminar com esta pouca-vergonha, até porque agora é tempo de crise...

ORA AQUILO QUE ME IRRITA, É QUE, NO INTERIOR DE UMA CLÍNICA, SEJA EM QUE PISO FOR (e independentemente do trabalho mais ou menos meritório dos outros profissionais), A VERDADE É QUE SÃO OS ENFERMEIROS QUE, TODOS OS DIAS, FAZEM COM QUE O TRABALHO CORRA, QUE HAJA MATERIAL DISPONÍVEL, QUE VIGIAM OS DOENTES, QUE DETECTAM COMPLICAÇÕES E QUE OS SALVAM, VEZES SEM CONTA, DE SITUAÇÕES QUE NEM SEQUER DEVERIAM EXISTIR.e é exactamente aos enfermeiros que se prentende cortar custos, reduzindo pessoal, não pagando horas extras, contratando pessoas à borla...

Que anda a autoridade reguladora da saúde a fazer? Será que já não estão fartos de saber disto?


Por isso mesmo, Sr Utente que lê este blogue:

- Da próxima vez que for a uma clínica e em que lhe prometerem ser operado mais depressa, pergunte sempre:

Qual a dotação de enfermeiros daquele local (quantos doentes tem cada enfermeiro por turno);
Qual é a equipa que o vai operar;
Como vai ser acompanhada após a operação;
Quem, no meio de todo esse processo, é o seu enfermeiro de referência.


Porque se perceber que, em alguns casos, cada enfermeiro tem 14 doentes por turno, saberá concerteza que ele não tem possibilidade de trabalhar correctamente, e isto inclui detectar atempadamente que você está a a ter (a título de exemplo) uma hemorragia interna após a sua intervenção cirúrgica, ALGO TÃO SIMPLES, MAS QUE DITA A DIFERENÇA ENTRE A SUA VIDA OU MORTE!


QUER SABER QUE ESTÁ SEGURO, QUER SABER QUE LHE PRESTAM OS MELHORES CUIDADOS DE SAÚDE POSSÍVEIS?

SAIBA SEMPRE QUEM É O SEU ENFERMEIRO, E MAIS IMPORTANTE, PERGUNTE SEMPRE QUANTOS DOENTES TEM CADA ENFERMEIRO POR TURNO!

SE FOREM MAIS DE CINCO, O RISCO DE SOFRER COMPLICAÇÕES AUMENTA GRANDEMENTE!

aquele abraço