sexta-feira, 22 de abril de 2011

Outros assassinos da Profissão...




Muitas vezes ouço os colegas queixarem-se que a OE "não faz nada", os sindicatos "tão pouco", que o Governo "só nos quer tramar" e que todos os dias outros profissionais "roubam aquilo que é da nossa competência".

Ora para além de todos estes factores, que lentamente drenam o "sangue" e a "vitalidade" que corre dentro da profissão, há também os outros assassinos, aqueles que atacam de dentro da profissão.

Há uns meses atrás estive com um colega que me informou estar a trabalhar num lar de idosos. Muito orgulhoso da sua função de coordenar as auxiliares do lar, referiu que só lá trabalhava 4 horas por dia, nas tardes da semana toda. Curioso sobre quem prestaria os cuidados de enfermagem na ausência tão prolongada dos enfermeiros, respondeu-me que "não havia problema nenhum, pois as auxiliares asseguravam todo o serviço e que estavam muito bem "treinadas".

Questionei-o sobre quem administrava a alimentação por SNG, vigiava a alimentação, fazia pensos, preparava e administrava a medicação (incluindo insulina). "Ensinei-as a fazer quase tudo isso. Quando lá cheguei era uma desgraça, mas agora fazem quase tudo!

Então e numa situação de emergência, visto que só lá estás 4h/dia? "Eles têm o meu telefone e ligam-me quando for preciso... Já chegaram a ligar-me de madrugada, ou nas férias estão sempre a ligar quando não sabem o que fazer....

Simpaticamente tentei explicar qual a função dele, quais os instrumentos que lhe permitiriam justificar mais enfermeiros no lar, se ele próprio não achava que os enfermeiros fariam um trabalho melhor...

RESPONDEU-ME, E DEVO DIZER QUE FIQUEI ATÓNITO, QUE COITADINHO DOS DONOS DO LAR, QUE MAL TÊM DINHEIRO PARA PAGAR A UM ENFERMEIRO, QUE NA LEGISLAÇÃO ESTÁ ESCRITO QUE NEM SÃO PRECISOS MAIS E QUE ELE ASSIM SABE ORIENTAR MUITO BEM O TRABALHO.

Nem a questão da RESPONSABILIDADE PELOS SEUS ACTOS FEITOS E PELOS DELEGADOS lhe provocou qualquer dúvida. ESTAVA TUDO BEM ASSIM, TUDO ÓPTIMO.

Infelizmente, mais um caso de um colega QUE NÃO SABE O QUE É SER ENFERMEIRO, QUE NÃO SABE AS SUAS FUNÇÕES E AS DOS OUTROS PROFISSIONAIS, QUE DEFENDE OS OUTROS EM VEZ DE A ELE PRÓPRIO, QUE PREFERE UNS "COBRES" A DEFENDER A SUA PROFISSÃO, QUE NÃO SABE ENCONTRAR ESTRATÉGIAS PARA DEMONSTRAR A NECESSIDADE E A IMPORTÂNCIA DOS SEUS CUIDADOS AOS OUTROS.


Mais um, entre tantos outros ....



aquele abraço

quinta-feira, 7 de abril de 2011

O que uns consideram ofensivo, já outros....




Diz João Décio, médico reformado há pouco tempo e que fazia as cirurgias de mudança de sexo no SNS, em declarações à TSF, que não irá aceitar trabalhar por uns míseros 4€ à hora! Mais propriamente, a declaração é:

«Isso significava que me iam pagar seis euros em bruto por hora», o que com os descontos ficava em «quatro euros», disse, considerando este valor «ofensivo».«Penso que ninguém aceitaria», acrescentou.

http://www.tsf.pt/PaginaInicial/Portugal/Interior.aspx?content_id=1796728

Ora pensa o médico e muito bem, que este valor é ofensivo (ainda mais porque era o único a fazê-lo no País!). E o que este Sr. pensa é o que pensa toda a classe profissional dele. Também é certo que o mercado não é tão adverso para com eles do que para todas as outras profissões.

Ainda assim, os enfermeiros têm por hábito aceitar estes valores e até trabalhar de borla, seja porque não têm emprego, seja para ganhar experiência, seja para pagar o empréstimo que se fez da casa para a qual não havia possibilidades se não se tivesse um segundo emprego.

Igualmente curioso é o facto de, nestes empregos, geralmente privados, trabalharem o triplo ou o quadruplo do que fazem no público, aceitam ser humilhados e espezinhados por modelos extremamente medicalizados que vigoram nas clínicas e escondem, por demais, erros cometidos por outros profissionais....

E continuam nisto, e aceitam aceitam aceitam, querendo depois que o Governo financie salários mais elevados por trabalhos (que sendo no sector público) potencialmente menos exigentes...

Enquanto não levantarmos a cabeça, enquanto não recusarmos vender-nos por uma bagatela, como classe, enquanto tivermos medo de chamar os sindicatos e fazer queixas (anónimas ou não) a quem de direito, não vamos MESMO a lado nenhum...


aquele abraço

O que eu fazia com 50 000 €!




Ora aqui vai um post que poderá não ser totalmente correcto, pois terei de me cingir exclusivamente ao conteúdo da notícia publicada, não conhecendo a totalidade do estudo em causa. Assumo desde já essa limitação.

Ora qual não é o meu espanto, quando chega a meu conhecimento a publicação de uma notícia na TSF, sobre a atribuição de um prémio de investigação da Fundação AstraZeneca no valor de 50 000€.


O estudo remete para a investigação "Doença Crónica e Dinâmica Familiar", que "foca a análise dos efeitos da doença crónica na dinâmica familiar e apresenta estratégias para evitar novas vítimas emocionais quando surge uma doença crónica na família." Citadas pela notícia, as conclusões expressam a necessidade de "incluir a família no processo de prestação de cuidados em situação de doença crónica" e ainda "o risco do surgimento de padrões disfuncionais que afectam o doente e a sua família e a necessidade de intervenção".

Bom, até aqui tudo bem, embora me questione, logo à partida, como tal Fundação atribuiu um prémio desta grandeza a algo que já está extensamente descrito.... E por quem? Por Enfermeiros, concerteza! Já estudam esta temática há anos!

A estupefacção absoluta surge, quando nos deparamos com o facto de que foram médicos a fazer este estudo!

Ora já não basta andarem a estudar (apesar de não ser mau de todo, já que FINALMENTE descobrem que a doença crónica implica riscos de disfunção familiar) os processos de doença (e muito bem), agora também se viram para a abordagem integral da pessoa e família e levam 50 000€ por isso?

Das duas uma, ou a bibliografia é constituída em boa parte por livros e artigos escritos por Enfermeiros, ou então não sei.

Se não "acordarmos para a vida", qualquer dia também isto já não é nosso objecto de estudo!

Fica o link do artigo: http://www.tsf.pt/PaginaInicial/Portugal/Interior.aspx?content_id=1819471&tag=Sa%FAde

outros links de potencial interesse, resultantes de pesquisa rápida na net:

http://periodicos.uem.br/ojs/index.php/CiencCuidSaude/article/viewFile/9044/5012
http://www.abeneventos.com.br/SENABS/cd_anais/pdf/id187r0.pdf
http://aspro02.npd.ufsc.br/arquivos/240000/243000/18_243039.htm?codBib=
http://repositorium.sdum.uminho.pt/bitstream/1822/953/2/Tese%20Mestrado.pdf
http://www.ufscar.br/~bdsepsi/241a.pdf

Lá está...também não é tudo mal... ao menos ficam a conhecer a "pólvora" e pode ser que deixem de olhar só para a doença (que é o que faz uma boa parte deles, por defeito profissional e/ou pessoal).

aquele abraço

domingo, 3 de abril de 2011

Barómetro Fórum-Enfermagem 2011



Está aberta, a partir de hoje, a participação no Barómetro Fórum-Enfermagem 2011! Mais uma iniciativa do FE em colaboração com este blogue!

Agradece-se a todos a participação, INDISPENSÁVEL PARA CONHECER opiniões e percepções dos Enfermeiros face à situação Profissional e à situação política que atravessamos.

Fundamental também para DAR A CONHECER A TODA A SOCIEDADE o que pensamos e sentimos e a realidade actual da profissão (a meu entender completamente divergente da percepção que a sociedade tem de nós enfermeiros), sabendo que a opinião dos enfermeiros também é relevante para a conjuntura nacional.

Por isso, peço que não se acomodem, não se acanhem, participem e partilhem as vossas ideias, para dar voz à Enfermagem Portuguesa! Só acessível a enfermeiros, e registados no Fórum! TÊM DUAS SEMANAS, A PARTIR DE HOJE, PARA PARTICIPAR!

participação disponível aqui: http://www.forumenfermagem.org/forum/index.php?topic=8208.0

aquele abraço