quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

O único debate... sobre o futuro da Enfermagem




Foi ontem, no casino da Figueira da Foz, pelas 22h30, que decorreu o único debate entre os candidatos a Bastonário para o próximo mandato. Foram 3 horas do mais intenso debate que alguma vez vi entre candidatos a Bastonário da OE, e digo isto apenas porque nunca ninguém tinha feito um debate antes, só por isso.

Em primeiro, a (des)organização. Coube à FNAEE a tentativa de organizar o referido debate. Desde quando cabe a um grupo de estudantes organizar um evento que diz respeito aos profissionais em exercício? Não digo que não tenha sido uma intenção legítima, mas onde anda o resto da profissão, independente das listas, que pudesse ter feito isso mesmo? E lá está, foi um debate não publicitado, organizado em cima do joelho (pois é, já temos eleições na Segunda e quem queria esclarecer dúvidas e votar por correspondência já não pode...)e que por isso só permitiu, maioritariamente, a participação dos enfermeiros que incorporam as listas. A última participação no referido debate, em jeito de conclusão, foi complicada, proferida por um aluno com alguma dificuldade de dicção.

Segundo, o facto de não ter sido convidada a TV Enfermagem para cobrir o evento na sua totalidade. Depois de os candidatos agradecerem por diversas vezes o "tempo de antena" que este media lhes proporcionou no seu site, não se viu o interesse de colocar à disposição da Classe e do público (que não puderam estar presentes) a transmissão diferida deste espaço de excelência de discussão de ideias. Perdem os Enfermeiros, ganham os candidatos pela falta de informação.

Terceiro, o amadorismo de todos os candidatos no que diz respeito à postura necessária para um debate Político. Exceptuando o Jornalista Nuno Rodrigues, cuja performance foi excelente, os candidatos mantiveram-se sempre "à defesa", passivos, sempre à espera de serem interpelados. Só se lembraram de começar a debater e a questionar-se uns aos outros quando o referido Jornalista salientou "Srs Candidatos, isto é um debate, pelo que relembro que se podem manifestar e interromper-se uns aos outros no decorrer do mesmo" - já lá ia mais de meia hora de conversa... Saliento, também, a postura políticamente correcta em excesso absurdo, que contrastou por isso com a falta de vigor, de intervenção, de garra que um Bastonário necessita e em grande dose.

Não esqueçamos que quem sair vencedor nesta corrida tem de ser alguém que, em público, e contra todos os outros "lobos" saiba IMPOR-SE, DAR A SUA OPINIÃO DE FORMA ASSERTIVA E NÃO FIQUE CALADINHO A UM CANTO.

Quarto, e com muita preocupação: entre 300 pessoas que estivessem na sala (cuja capacidade era para 700 pessoas...), não contei mais de que 25 com menos de 35/40 anos... Onde está a força revitalizadora da Profissão? Continuamos a queixar-nos que "são sempre os mesmos totós" e depois não aparecemos a dar a cara e a questionar o que é dito???




PONTOS POSITIVOS (de acordo com a ordem de participação no debate)




SÉRGIO GOMES: Sabe e operacionalizou diversas medidas que quer ver implementadas na OE e indica que algumas delas são para fazer nos primeiros 3 meses; tem uma visão global (conferida pela sua posição na DGS como Chief Nursing Officer) da relação dos enfermeiros com as instâncias de topo e o poder político e questionou a actual OE quanto à dubia participação na elaboração de protocolos de cuidados/qualidade da DGS. Quanto à questão dos TEPH só aceita o desenvolvimento e aplicação de competências nos casos de impossibilidade de presença de um enfermeiro (casos em que SIV e VMER estão a mais de 40km de distância).




GERMANO COUTO: Assertivo, determinado nas declarações que fez quanto à prescrição por enfermeiros (salientando a necessidade de um debate prévio interno); manifestou-se CONTRA a criação de carreira de TEPH; soube fazer o contraponto das afirmações dos adversários e usar humor a seu favor. Salientou, e muito bem, que a OE é uma estrutura pouco profissionalizada e com muito voluntariado, o que determina os atrasos em tomadas de posição/elaborações de pareceres em diversas situações. Realista quanto à conjuntura actual.





José Azevedo: Directo, determinado, sem medo de reavivar alguns dos "podres" profissionais. Ainda que com linguagem rudimentar (que lhe tirou quase toda a credibilidade), foi realista e soube assinalar hábitos que são prejudiciais e que a OE/Enfermeiros irão manter no futuro. Foi indicado por um colega, ex-enfermeiro director do Hospital de Braga, como único defensor activo dos enfermeiros que estão a ser actualmente sujeitos a condições humilhantes e desprestigiantes no exercício da sua profissão.





Manuel Oliveira: Assertivo, com discurso coerente, equilibrado (só podia ter sido ligeiramente mais abreviado em alguns raciocínios), opinião fundamentada com base em provas/estudos científicos, capacidade de acrescentar o seu ponto de vista e desviar as questões para introduzir temas que considera importantes. Postura, foi o melhor candidato quanto ao domínio da palavra e credibilidade nas afirmações que realizou. Realista quanto à conjuntura actual. Usou o humor logo no início do debate, tentando gerar empatia com a plateia. Argumentou, brilhantemente quanto às responsabilidades do trabalho desenvolvido até agora, que outros dois candidatos tinham, como ele, desempenhado funções na OE - nivelou, assim, o que Germano Couto queria diferenciar quanto à eventual "continuidade". Defendeu a certificação e definição de competências, assim como a regulação do exercício profissional (MDP) como a melhor forma de nos "blindarmos" contra ataques externos.






PONTOS NEGATIVOS


TODOS ELES: Falharam redondamente na explicação da relação da OE com as escolas na definição da qualidade dos campos de estágio, capacidade formativa, boom formativo - não me convençeram. Falharam na atenção à gestão (que por ser altamente deficitária em diversas instituições necessita de uma valente reviravolta), que não foi considerada por nenhum dos candidatos no discurso. Não foi referido (para grande pena minha) qual a posição dos candidatos/listas relativamente à emergência de AUXILIARES DE ENFERMAGEM - esteve tudo tão "caladinho" que gera suspeitas acrescidas. Só se falaram de assuntos para "dentro da profissão" - a perspectiva "externa" (como chegar às pessoas e sociedade em geral) foi falada em termos muito abstractos e que levantam algumas dúvidas.


SÉRGIO GOMES: Um tanto ao quanto gago, confuso, disperso. Roçou os discursos de Maria Augusta Sousa de há 9 meses para trás, com falta de objectividade e capacidade de síntese. Anunciou estudos e mais estudos, pareceres e mais pareceres, incluindo a definição do perfil do enfermeiro nos diversos sentidos em 6 meses (algo que em 30 anos ainda não fomos capazes de fazer).

Germano Couto: Manteve-se "quieto no seu canto", esperando sempre ser interpelado do que interpelar os outros candidatos. Apresentou a postura mais neutra e empata com Manuel Oliveira no campo "politicamente correcto". Passou ao lado da polémica/ataques, mas também da discussão.

José Azevedo: O "bobo da corte" pela linguagem arcaica e baseada sobretudo na sabedoria popular e senso demasiado comum, arrancou por diversas vezes gargalhadas à multidão ("a nossa lista é a E, É o que as outras gostariam de ser"; "o problema é que vocês pegam no problema como no morcego, ao contrário, têm de virar é o morcego de cabeça para cima e atacar o problema", "eu só faço como o Moisés, toco com o bastão no chão para separar as águas, depois os enfermeiros têm de fazer o caminho", "a essência" - JURO QUE ESTE BLOGUE NÃO ESTÁ RELACIONADO COM ESTE SENHOR NEM COM ESTA IDEOLOGIA QUE APRESENTOU EM DEBATE). Disse que "... Enfermagem é ARTE e como ARTE que principalmente é..." e eu aí desliguei para o resto do debate deste Senhor. Nega o conhecimento, a cientificidade da profissão e aposta sobretudo na prática, prática, prática - mantendo-nos os belos técnicos e tayloristas que o poder político quer que sejamos, ao invés de profissionais que aliam o intelectual ao técnico. Está surdo, mouco e seria uma nova "Maria Augusta". Tem uma vertente "Marinho Pinto", mas deita-a a perder quando logo de seguida não sabe argumentar com base em factos e evidências.

Manuel Oliveira: Demasiado "politicamente correcto", muito "santinho" e "bem comportadinho". Falta de garra e convicção, apesar de agir com assertividade, falta também a proactividade e a intervenção mais acérrima - podemos perder posição por sermos muito "bonzinhos" e não sabermos defender o que é nosso. Apoiou o MDP tal e qual como está, que segundo o Enfermeiro Azevedo necessita de 50 milhões de €€€ para ser posto em prática e apresenta esperança irrealista quanto ao facto de o Estado aceitar este modelo sem ver qualquer evidência de ganhos em Saúde. Disse, em jeito de brincadeira quanto à proximidade que deseja com todos os enfermeiros, ser "o bastonário todo-o-terreno".




RESUMINDO, QUANDO SAÍ DO CASINO DA FIGUEIRA, PASSAVA DA 1H30, ESTAVA UM NEVOEIRO INTENSÍSSIMO NA ESTRADA. NO CAMINHO DE REGRESSO, ENVOLTO NOS MEUS PENSAMENTOS, NÃO APARECEU O D. SEBASTIÃO POR QUEM TANTO ESPERAVA. DEIXO, ASSIM, A MINHA OPINIÃO FINAL

PRIMEIRO, VOTEM! EXERÇAM O VOSSO DIREITO SOB PENA DE PERDEREM A LEGITIMIDADE QUANDO SE QUEIXAREM DO FUTURO DA PROFISSÃO (QUE DELEGARAM NOUTROS PARA DECIDIR POR VÓS). SE ASSIM FOR, CALEM-SE A PARTIR DE AGORA.

SEGUNDO, SE QUER UM BASTONÁRIO CUJA FUNÇÃO PRINCIPAL SEJA APARECER NOS MEDIA E DAR UMA VISÃO EVOLUIDA E CONSTRUTIVA DA ENFERMAGEM, QUE APELE QUE A PROFISSÃO É FUNDAMENTAL PARA A SAÚDE DOS PORTUGUESES E QUE O FAÇA DE FORMA CORRECTA E COERENTE, A ESCOLHA É MANUEL OLIVEIRA.

TERCEIRO,
SE QUER UM BASTONÁRIO QUE É CAPAZ DE SE CHATEAR UM BOCADINHO MAIS PELOS INTERESSES DA PROFISSÃO, MAS QUE É FRANZINO E NÃO DOMINA TANTO A ARTE DE APARECER EM PUBLICO, PODENDO ASSIM SER DESCREDIBILIZADO, ESCOLHAGERMANO COUTO

LEIO EM TODOS OS BLOGUES QUE TODAS AS LISTAS TÊM COLEGAS QUE INFELIZMENTE FAZEM MAIS POR ELES PRÓPRIOS QUE PELA PROFISSÃO, PELO QUE IMPERA ESCOLHER, EM TERMOS DAS SECÇÕES REGIONAIS, NÃO A MELHOR LISTA MAS A "MENOS PIOR" (passo o pleonasmo).

LOGO, SE QUER FUGIR DE UMA ORDEM QUE É LENTA, ALGO INDIFERENTE MAS QUE CONSTRÓI UM PERCURSO SÓLIDO E JÁ SABE COMO FUNCIONA A RELAÇÃO POLÍTICA (E É TOTALMENTE INDEPENDENTE DE QUALQUER PARTIDO), NÃO - EU DISSE NÃO - ESCOLHA A LISTA C

SE QUER UMA OE LIGEIRAMENTE DIFERENTE, COM UMA LINHA DE PENSAMENTO QUE NÃO É DIFERENTE MAS DERIVADA, QUE EMBORA MANTENHA ALGUM KNOW HOW EM RELAÇÕES POLÍTICAS PODE SER UMA SURPRESA (+ OU -) NO DESENVOLVIMENTO DA PROFISSÃO, ESCOLHA LISTA A

SE QUER UMA OE MARCADAMENTE DIFERENTE, COM IDEIAS FORTES, CONTRA MUITOS LOBBIES, MAS A QUEM FALTARÁ EXPERIÊNCIA E O DITO KNOW HOW E ACESSO POLÍTICO, CUJO EMBATE NÃO SABEMOS SE SERÁ POSITIVO, ESCOLHA LISTA B





Desculpem lá a maçada, mas tivessem ido ver. Isto de andar informado é uma "chatice". Ou então não.

Aquele abraço

4 comentários:

  1. Olá boa noite, gostaria de lhe responder a alguns comentários que faz no início da sua "reportagem" ao debate organizado pela FNAEE. Mas gostaria também de o poder fazer apenas a si, pelo que lhe solicito um contacto de email se o puder fazer! Deixo, ainda, o email da FNAEE: dir.fnaee@gmail.com

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  2. Esteve mesmo lá...???? como é que soube??? deixe-me adivinhar, estava a passar pela frente do casino a quando da ida para a praia para o exorcismo desse mau intimo que o(a) acompanha?

    Bravo FNAEE pela iniciativa que primou pela qualidade do espaço, programa e conteúdos, Enfermagem precisa que assim continuem, pela primeira vez as eleições da Ordem tiveram um espaço de discussão ao nível do que a classe de enfermagem precisa.
    PARABÈNS FNAEE, nós Enfermeiros, precisamos de futuros colegas com visão e sentido politico porque infelizmente este artigo representa o que por ai anda na enfermagem. Gente mesquinha de mau intímo, com comentários anti | pseudo | XPTO da TRETAAAA.

    Mais uma vez, FNAEE muito obrigado pelo momento, que também lá estive, pena terem sido os únicos com capacidade para tal.

    Carlos Oliveira

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  3. Meus Senhores, talvez as críticas tenham sido por demais acutilantes. Não é minha intenção a ofensa alheia, sem um motivo forte que a justifique.

    Têm o mérito, é certo, de terem sido os únicos a organizar um debate com os 4 candidatos, já o disse acima. O foco está, no entanto, não em quem organizou mas em quem devia ter organizado e é aí que manifesto a minha tristeza: devia existir, neste País e nesta fase, um grupo mais homogéneo de profissionais e com maior preparação para estas coisas. Somos "novinhos" e estamos a crescer. Havemos de lá chegar.

    Quanto à organização em si, tinham o espaço, a banda, o jornalista, não coloco nada disso em causa. Do que falei, e transcrevo "foi um debate não publicitado, organizado em cima do joelho (pois é, já temos eleições na Segunda e quem queria esclarecer dúvidas e votar por correspondência já não pode...)e que por isso só permitiu, maioritariamente, a participação dos enfermeiros que incorporam as listas" - não é mentira nenhuma, todos os meus colegas se queixaram do mesmo desconhecimento, e é pena.

    De resto, nada tenho contra a FNAEE. Sejam interventivos, mesclem-se na política nacional e sejam pro-activos na defesa da profissão. São, como todos os outros, passíveis de crítica alheia. Como os outros, saibam também aceitar críticas no sentido construtivo e organizem os próximos debates, melhorando o que desta vez não correu tão bem. E assim vamos para a frente!

    aquele abraço

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  4. O problema de um candidato é que quem fala por trás é o doutorenfermeiro. Quando o candidato está "sozinho" engasga-se...

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